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Opinião | A Raparida de Antes, de JP Delaney

por -Cristina Gaspar-, em 03.05.17

Olá!

 

Hoje trago-vos outra opinião, de um livro que tem tido muita publicidade e muita expectativa, desde que a sua edição em Portugal foi anunciada, pela editora SUMA de Letras. Este livro foi-me emprestado pela Cláudia, do canal A mulher que ama livros e que também tem a sua opinião do mesmo aqui. Se fizerem uma pesquisa rápida no Google, encontram mais opiniões variadas.

 

JP Delaney é um pseudónimo do autor e, escrevendo sobre diversos nomes, tem ganho diferentes prémios em ficção. É o director creativo de uma das maiores agências de publicidade do UK. O livro "A Rapariga de Antes" é a sua primeira novela sob esse pseudónimo.

 

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Sinopse: «Por favor, faça uma lista de todos os bens que considera essenciais na sua vida.»

O pedido parece estranho, até intrusivo. É a primeira pergunta de um questionário de candidatura a uma casa perfeita, a casa dos sonhos de qualquer um, acessível a muito poucos. Para as duas mulheres que respondem ao questionário, as consequências são devastadoras.

EMMA: A tentar recuperar do final traumático de um relacionamento, Emma procura um novo lugar para viver. Mas nenhum dos apartamentos que vê é acessível ou suficientemente seguro. Até que conhece a casa que fica no n.º 1 de Folgate Street. É uma obra-prima da arquitectura: desenho minimalista, pedra clara, muita luz e tectos altos. Mas existem regras. O arquitecto que projectou a casa mantém o controlo total sobre os inquilinos: não são permitidos livros, almofadas, fotografias ou objectos pessoais de qualquer tipo. O espaço está destinado a transformar o seu ocupante, e é precisamente o que faz…

JANE:Depois de uma tragédia pessoal, Jane precisa de um novo começo. Quando encontra o n.º 1 de Folgate Street, é instantaneamente atraída para o espaço —e para o seu sedutor, mas distante e enigmático, criador. É uma casa espectacular. Elegante, minimalista. Tudo nela é bom gosto e serenidade. Exactamente o lugar que Jane procurava para começar do zero e ser feliz.
Depois de se mudar, Jane sabe da morte inesperada do inquilino anterior, uma mulher semelhante a Jane em idade e aparência. Enquanto tenta descobrir o que realmente aconteceu, Jane repete involuntariamente os mesmos padrões, faz as mesmas escolhas e experimenta o mesmo terror que A Rapariga de Antes.

 

Opinião: Emma e Jane, as duas personagens centrais da história, têm as suas vidas ligadas pela casa (e por Edward, o dono do nº 1 da Folgate Street). Emma é a rapariga de antes.

 

O início da leitura levou-me imediatamente ao livro "The girl on the train", de Paula Hawkins, pela similaridade na estrutura do texto. Cada capítulo é a voz de uma personagem e estas vão-se intercalando, andando para trás e para a frente no tempo, aumentando o interesse na mesma e dando aquela sensação de suspense sobre o que irá acontecer. As personagens vão então relatando aspectos pessoais do seu passado e dos acontecimentos e vamos, desta forma, conhecendo as suas personalidades. Ambas começam por encontrar uma casa para arrendar, ao mesmo tempo fantástica, surreal e impossível de se conseguir, devido às excentricidades do dono, que exige um preenchimento de um questionário fora do normal e que será factor de selecção. Essa casa é no mínimo curiosa, minimalista e também, do meu ponto de vista, fria e sem alma. É assim introduzido o conceito do minimalismo no enredo, em que a casa é o exemplo disso, cheia de regras de utilização. Este conceito foi um dos motivos pelo que tive curiosidade em ler este livro, no entanto acho que foi pouco explorado. São introduzidas referências e termos japoneses sobre o tema, fazendo o paralelismo com o estilo de vida japonês, de uma forma muito simples e isso gostei bastante.

 

A história vai evoluindo e a acção leva-nos a perceber como as personagens estão envolvidas e o seu carácter, naquilo que é supostamente um clima de terror e suspense. -- Aqui penso que falhou redondamente! -- Não senti nem o terror nem o suspense. Na realidade, não senti nada mais do que mera curiosidade pelo destino de cada personagem e isso mais pela forma como os capítulos estavam dispostos. Para mim, há uma falta de empatia por todas as personagens, especialmente a Emma. Esta vai-se revelando de uma forma horrível, supostamente para chocar, mas que achei banal e ordinária, em vários aspectos. Jane tenta parecer um pouco mais "esperta", mas que também não me criou empatia ou provocou qualquer outra emoção, que não fosse nada mais do que desinteresse, por ela. As outras personagens vão desfilando, mais um vez, de forma pouco interessante, não acrescentando muito. Edward seria a única personagem com algum "charme", para mim. Tendo perfil de sociopata e perfeito vilão, mostra-se frio, distante, metódico e calculista, quase perfeito, tentando simultaneamente parecer refinado e superior aos outros, devido ao seu modo de vida minimalista radical. No entanto, achei o seu carácter pouco explorado, passando-nos  a imagem de que é uma pessoa com os mesmos hábitos, durante toda a sua vida, com um passado "obscuro" que também soube a pouco. Às páginas tantas, há uma tentativa para que o leitor sinta pena dele, apenas para de seguida sentir desprezo e isto continua, num efeito ping-pong, em que gostamos da personagem, não gostamos, gostamos, não gostamos, ... até que cansa.

 

Em jeito de resumo e apesar de tudo, a ideia do thriller é interessante, apenas achei que tem uma mistura de elementos, alguns forçados, que tentam encaixar-se para fazer uma história com sucesso. O vilão minimalista e excêntrico, a rapariga de antes, misteriosa e emocionalmente fragilizada e a rapariga de agora, que é um pouco mais forte, mas com um passado recente que também a perturba mentalmente, ambas submissas em termos de emoções. A casa interliga estas personagens, tentando assumir-se como um elemento activo, mas que não me pareceu mais do que um sítio onde a acção é narrada. Poderia ter sido noutro sítio qualquer.

 

***

 

Esta é a minha opinião. Houve algumas coisas que gostei e muitas que não gostei. Não deixa de ser uma história com algum interesse apesar de tudo. Leiam e tirem as vossas conclusões!!

 

Classificação no Goodreads:

 

E aqui fica a minha opinião em vídeo!

 

 

 

 

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**

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2 comentários

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De Carolina Paiva a 04.05.2017 às 09:49

Olá Cristina! :)
Já tinha visto mais duas ou três opiniões más acerca deste livro (para além da tua) de forma que me parece que tentaram montar uma grande estratégia de marketing à volta de um livro que se anuncia como um thriller (tentando talvez aproximar-se da "Rapariga no comboio") mas que pouco ou nada tem disso. Reuniram os ingredientes, agitaram-nos, mas a fórmula não deu certo :/
Talvez seja uma leitura leve e com ritmo mas que fica muito aquém daquilo que é esperado devido, também, a todo o alarido que foi feito em volta dele.

De qualquer forma gostei muito de ver a tua opinião, muito bem estruturada :)

Beijinhos!
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De -Cristina Gaspar- a 04.05.2017 às 10:59

Oi Carolina!

Sim, acho que foi mesmo hype a mais e infelizmente desiludiu-me bastante. Na entrevista do autor ele menciona que levou 15 anos a escrever esta história e pessoalmente não percebo como levou tanto tempo, porque tive a mesma sensação em que meia dúzia de conceitos-chave foram misturados num saco e pufff, fez-se a história. Eu esperava bem mais! :) Aconselho a que tentem ler, porque não é uma história horrível, eu é que não gostei!

Obrigada pelo comentário.

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